Comece pelo fenótipo
O que me fez pensar em miocardiopatia?
Doença miocárdica fetal deve ser suspeitada pela combinação entre morfologia e função, e não por uma lista etiológica isolada.
- Espessura miocárdica alterada ou dilatação ventricular.
- Contratilidade reduzida, disfunção sistólica ou alteração do enchimento diastólico.
- Insuficiência atrioventricular funcional, cardiomegalia ou derrame pericárdico.
- Arritmia, insuficiência cardíaca ou hidropisia como sinais de repercussão.
Espectro morfológico
Compare espessura, tamanho das cavidades e trabeculação nas quatro câmaras.
Caracterize o padrão
- Hipertrófico: espessamento do septo e/ou paredes ventriculares, com possível redução da cavidade.
- Dilatado: dilatação ventricular associada à redução da contratilidade.
- Não compactado: trabeculações proeminentes e recessos profundos.
- Restritivo: ventrículos sem dilatação importante, aumento atrial e alteração do enchimento.
Construa o diagnóstico
QUATRO CÂMARAS — tamanho e espessura
M-MODE — contratilidade e função
DOPPLER — enchimento, fluxos e repercussão
AVALIAÇÃO GLOBAL — valvas, hidropisia, ritmo e crescimento
Função ventricular
Associe a imagem bidimensional ao M-mode para documentar dimensões e movimento das paredes.
Depois do fenótipo, procure a causa
- Diabetes materna, sobretudo diante de hipertrofia.
- Anemia fetal, infecção ou arritmia sustentada.
- Doença metabólica, genética ou síndrome quando houver outros achados.
Evolução, nascimento e prognóstico
O seguimento seriado deve documentar estabilidade ou progressão da espessura, dimensões e função, além de insuficiência valvar, arritmia e hidropisia. A repercussão neonatal e o prognóstico dependem do fenótipo, da causa e do grau de disfunção, e exigem planejamento com cardiologia pediátrica.
Avaliar Ritmo CardíacoReferências do conteúdo-fonte
Espectro e desfecho das miocardiopatias primárias fetais; referências de biometria cardíaca fetal disponíveis no módulo.