Síndrome

Síndrome de Edwards

Trissomia 18 — T18

Descrição

Síndrome malformativa grave, geralmente reconhecida pela associação de restrição de crescimento e anomalias em vários sistemas. Mãos, pés, crânio, coração e sistema nervoso central são frequentemente envolvidos.

Compatibilidade com a vida

Para facilitar a interpretação clínica, considere 100 fetos com Trissomia 18 viáveis às 12 semanas de gestação.

  • Cerca de 70 evoluem para óbito intrauterino antes do nascimento.
  • Cerca de 30 nascem vivos.
  • Desses 30 recém-nascidos, aproximadamente 2 a 3 crianças permanecem vivas após o primeiro ano de vida.

Sobrevida global

🟡 Prognóstico variável. Em termos práticos, cerca de 2% a 3% de todas as gestações com Trissomia 18 viáveis às 12 semanas resultam em uma criança viva após o primeiro ano de vida.

A sobrevida varia conforme a forma cromossômica (completa, mosaico ou parcial), a gravidade das malformações associadas e o tipo de assistência neonatal oferecida. Existem sobreviventes além da infância e, mais raramente, até a vida adulta.

Os valores apresentados representam aproximações derivadas das principais séries clínicas publicadas e podem variar entre estudos conforme o critério de inclusão utilizado.

Principais vulnerabilidades

  • Restrição de crescimento
  • Cardiopatias
  • Malformações de membros
  • Comprometimento neurológico
  • Alta mortalidade perinatal

Genética

  • Alteração cromossômica: presença de material adicional do cromossomo 18.
  • Cariótipo típico: 47,XX,+18 ou 47,XY,+18.
  • A maioria dos casos corresponde à trissomia 18 completa, geralmente decorrente de não disjunção meiótica.
  • Formas em mosaico e formas parciais são menos frequentes e podem apresentar maior variabilidade fenotípica.
  • O risco aumenta com a idade materna.
  • A maioria dos casos é esporádica.
  • O risco de recorrência deve ser individualizado conforme o cariótipo fetal e, quando necessário, o estudo cromossômico parental.

Incidência

  • Aproximadamente 1:5.000–8.000 nascidos vivos.

Principais marcadores

Achados que mais sugerem a síndrome

  • Restrição de crescimento fetal
  • Crânio em morango
  • Mãos fechadas com sobreposição dos dedos

Quando suspeitar?

O padrão clássico reúne:

  • Crânio em morango (strawberry skull)
  • Mãos fechadas com sobreposição dos dedos
  • Cisto de plexo coroide
  • Restrição de crescimento fetal
  • Cardiopatia
  • Pé em mata-borrão (rocker-bottom foot)

Achados ultrassonográficos

Restrição do crescimento intrauterino

A restrição do crescimento pode surgir precocemente e tornar-se progressiva. Quando associada a múltiplas malformações, mãos fechadas, alterações dos pés ou cardiopatia, aumenta a suspeita de Trissomia 18.

Mãos persistentemente fechadas com sobreposição dos dedos

Mãos fechadas com sobreposição dos dedos.

Postura persistente das mãos fechadas, frequentemente com sobreposição do dedo indicador sobre o terceiro dedo e do quinto dedo sobre o quarto. Deve ser diferenciada de uma posição transitória da mão fetal.

Pé em mata-borrão

Pé em mata-borrão.

Deformidade caracterizada por calcâneo proeminente e formato convexo da planta do pé. É um achado clássico da Trissomia 18, embora não seja exclusivo.

Micrognatia

Micrognatia fetal ao ultrassom.

Mandíbula pequena e retraída. Deve ser avaliada em plano sagital adequado e interpretada em conjunto com os demais achados faciais e sistêmicos.

Cardiopatia congênita

As cardiopatias são frequentes e podem incluir comunicação interventricular, defeitos septais, defeito do septo atrioventricular, alterações valvares e anomalias dos grandes vasos.

Cisto de plexo coroide associado a outras alterações

Pode ocorrer em fetos cromossomicamente normais. Torna-se mais relevante para a suspeita de Trissomia 18 quando associado a malformações estruturais ou a outros marcadores.

Artéria umbilical única

Achado que deve motivar avaliação anatômica detalhada, especialmente do coração, rins, crescimento fetal e demais sistemas.

Onfalocele

Defeito da parede abdominal com herniação de vísceras recobertas por membrana. Quando associada a outras malformações, deve levantar suspeita de alteração cromossômica.

Alterações do sistema nervoso central

Podem incluir cistos de plexo coroide, ventriculomegalia, alterações da fossa posterior, agenesia do corpo caloso e outras malformações encefálicas.

Múltiplas malformações estruturais

A combinação de alterações em diferentes sistemas possui maior valor diagnóstico do que um marcador isolado.

Achados ultrassonográficos

Diagnóstico

Suspeita ultrassonográfica

Amniocentese

QF-PCR

Exoma fetal com análise validada para CNVs

Confirmação diagnóstica

Confirmação genética

Confirmar por Exoma fetal com análise validada para CNVs.

Diagnósticos diferenciais

O diagnóstico não deve ser estabelecido pela presença isolada de um único marcador ultrassonográfico.

  • Trissomia 13.
  • Triploidia.
  • Síndrome de Pena-Shokeir.
  • Síndromes associadas a restrição de crescimento e múltiplas malformações.
  • Alterações isoladas de mãos ou pés sem aneuploidia.

Prognóstico

Desenvolvimento neurocognitivo

Os sobreviventes geralmente apresentam atraso global do desenvolvimento e deficiência intelectual importante. A gravidade pode variar, especialmente nas formas mosaico ou parciais.

Qualidade de vida e funcionalidade

A maioria necessita de apoio contínuo para alimentação, mobilidade, comunicação e atividades diárias. Algumas crianças desenvolvem formas próprias de interação, reconhecimento dos familiares e comunicação não verbal.

Principais vulnerabilidades clínicas

  • Cardiopatias congênitas.
  • Insuficiência respiratória.
  • Apneias.
  • Dificuldade de sucção e deglutição.
  • Aspiração.
  • Refluxo gastroesofágico.
  • Infecções recorrentes.
  • Alterações renais.
  • Convulsões.
  • Restrição grave do crescimento.
  • Necessidade variável de suporte hospitalar e domiciliar.

Expectativa de vida

A mortalidade fetal e neonatal é elevada. Aproximadamente 5% a 10% dos nascidos vivos sobrevivem além do primeiro ano. Existem sobreviventes por vários anos e, mais raramente, até a vida adulta, principalmente em formas mosaico ou parciais, embora a sobrevida prolongada também possa ocorrer em casos de trissomia completa.

Aconselhamento e conduta

  • Confirmar o diagnóstico por teste invasivo.
  • Realizar avaliação anatômica fetal detalhada.
  • Realizar ecocardiografia fetal.
  • Avaliar crescimento fetal seriado.
  • Oferecer aconselhamento genético.
  • Discutir prognóstico de forma individualizada e não diretiva.
  • Planejar assistência obstétrica, neonatal e cuidados paliativos ou terapêuticos conforme os objetivos da família e as condições clínicas.
  • Considerar a forma cromossômica, as malformações presentes e as preferências familiares.

Galeria simplificada

Referências

  • ISUOG
  • Fetal Medicine Foundation
  • SMFM
  • ACOG
  • Orphanet
  • Cereda A, Carey JC. The trisomy 18 syndrome. Orphanet Journal of Rare Diseases. 2012.
  • Cavadino A et al. Revised estimates of the risk of fetal loss following a prenatal diagnosis of trisomy 13 or trisomy 18. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology. 2017.
  • Meyer RE et al. Survival of children with trisomy 13 and trisomy 18: a multi-state population-based study. American Journal of Medical Genetics. 2016.