Síndrome

Complexo de Esclerose Tuberosa

Doença genética multissistêmica associada aos genes TSC1 e TSC2

Descrição

Doença genética multissistêmica caracterizada pela formação de hamartomas em diferentes órgãos, principalmente cérebro, coração, pele e rins. No período fetal, deve ser lembrada principalmente diante da identificação de rabdomiomas cardíacos, sobretudo quando múltiplos.

Compatibilidade com a vida

Classificação

🟡 Prognóstico variável

A evolução depende principalmente do comprometimento neurológico e das manifestações multissistêmicas.

Principais vulnerabilidades

  • Epilepsia
  • Alterações do neurodesenvolvimento
  • Tumores cardíacos
  • Comprometimento renal
  • Manifestações cutâneas
  • Alterações comportamentais

Genética

  • Genes TSC1 e TSC2
  • Herança autossômica dominante
  • Expressividade muito variável
  • Muitos casos são decorrentes de variantes de novo
  • TSC2 geralmente está associado a fenótipo mais grave
  • Mosaicismo pode ocorrer
  • Diagnóstico molecular: Exoma fetal com análise validada para CNVs, garantindo cobertura adequada de TSC1 e TSC2

Incidência

  • Aproximadamente 1:6.000–10.000 nascidos vivos.

Principais marcadores

Rabdomiomas cardíacos múltiplos → pensar imediatamente em Complexo de Esclerose Tuberosa.

Quando suspeitar?

  • Rabdomioma cardíaco fetal
  • Múltiplos tumores cardíacos
  • Tumores localizados nos ventrículos ou septo interventricular
  • Nódulos subependimários
  • Tubérculos corticais
  • Associação entre tumor cardíaco e alteração cerebral

Achados ultrassonográficos

Coração

  • Rabdomiomas cardíacos
  • Frequentemente múltiplos
  • Podem localizar-se nos ventrículos ou septo interventricular
  • Tamanho e número variáveis
  • Avaliar repercussão hemodinâmica
  • Avaliar obstrução das vias de entrada ou saída
  • Avaliar ritmo cardíaco
  • Avaliar sinais de insuficiência cardíaca/hidropsia quando tumores volumosos

Rabdomioma cardíaco

Massa intracardíaca compatível com rabdomioma fetal.

Rabdomiomas cardíacos múltiplos

Múltiplas massas intracardíacas aumentam significativamente a suspeita de Complexo de Esclerose Tuberosa.

Rabdomioma cardíaco

Massa intracardíaca compatível com rabdomioma fetal.

Sistema Nervoso Central

  • Pesquisar sistematicamente nódulos subependimários
  • Pesquisar tubérculos corticais
  • Pesquisar alterações da migração/organização cortical quando presentes

O que procurar após identificar rabdomioma cardíaco?

  • Realizar neurosonografia fetal detalhada
  • Pesquisar nódulos subependimários
  • Pesquisar tubérculos corticais

Rins

  • Alterações renais podem fazer parte da doença
  • Angiomiolipomas são manifestações importantes no acompanhamento pós-natal, mas geralmente não constituem a principal pista ultrassonográfica fetal

Diagnóstico

Rabdomioma cardíaco fetal

Especialmente se múltiplo

Neurosonografia fetal detalhada

Pesquisar manifestações cerebrais

Amniocentese

QF-PCR

Exoma fetal com análise validada para CNVs

Com avaliação de TSC1 e TSC2

Confirmação molecular

Ressonância magnética fetal

Papel da RM fetal

A RM fetal complementa a neurosonografia na pesquisa de alterações cerebrais, especialmente quando há forte suspeita de Complexo de Esclerose Tuberosa.

Diagnósticos diferenciais

Para tumores cardíacos:

  • Fibroma cardíaco
  • Teratoma cardíaco
  • Mixoma
  • Outros tumores cardíacos fetais

Prognóstico

Neurológico

  • Principal determinante do prognóstico em longo prazo
  • Epilepsia pode ser importante
  • Desenvolvimento neurológico muito variável

Cardíaco

  • Muitos rabdomiomas apresentam regressão espontânea após o nascimento
  • Prognóstico depende da localização, tamanho e repercussão hemodinâmica
  • Tumores obstrutivos ou associados a arritmias apresentam maior risco fetal/neonatal

Geral

  • Expressividade clínica extremamente variável
  • Necessidade de acompanhamento multidisciplinar durante toda a vida

Aconselhamento

  • Ecocardiografia fetal detalhada
  • Neurosonografia fetal
  • Avaliação seriada dos tumores cardíacos
  • Avaliação do ritmo cardíaco
  • Exoma fetal com análise de CNVs e avaliação de TSC1/TSC2
  • RM fetal para complementação da avaliação cerebral
  • Aconselhamento genético
  • Planejamento do acompanhamento neonatal

Ver em Cardiologia Fetal

Galeria

Angiofibromas faciais

Angiofibromas faciais, manifestação cutânea característica do Complexo de Esclerose Tuberosa.

Máculas hipomelanóticas

Máculas hipomelanóticas, classicamente descritas como lesões em “folha de freixo”.

Placa de Shagreen

Placa de Shagreen, manifestação cutânea associada ao Complexo de Esclerose Tuberosa.

Fibromas periungueais

Fibromas periungueais, também conhecidos como tumores de Koenen.

Referências

  • GeneReviews — Tuberous Sclerosis Complex
  • Northrup H et al. Updated International Tuberous Sclerosis Complex Diagnostic Criteria and Surveillance and Management Recommendations. Pediatric Neurology. 2021;123:50–66.
  • OMIM #191100 — Tuberous Sclerosis 1
  • OMIM #613254 — Tuberous Sclerosis 2
  • Orphanet — Tuberous sclerosis complex
  • ISUOG — Cardiac tumors
  • Jurkiewicz E et al. Antenatal diagnosis of tuberous sclerosis: new aspects. Neuroradiology. 2006;48:155–162.