Comece pelo ultrassom
Como reconhecer
- Identifique uma abertura no septo interventricular em modo B.
- Confirme fluxo atravessando o septo ao Doppler colorido.
- Demonstre o defeito em pelo menos dois cortes.
- Defina sua localização: muscular, apical, perimembranosa, de entrada ou de saída.
- Não diagnostique CIV apenas por dropout do septo.
Corte a corte
Construindo o diagnóstico
- 1
Quatro câmaras — percorra todo o septo
Examine inicialmente em modo B, da região apical à crux, procurando uma interrupção real do septo. - 2
Planos complementares — localize o defeito
Mude a angulação e confirme em um segundo plano. A relação com a banda moderadora, as valvas atrioventriculares e a via de saída orienta a classificação. - 3
Doppler colorido — demonstre a comunicação
Mostre fluxo através do septo. Use o Doppler como confirmação, sem substituir a avaliação anatômica em modo B. - 4
Vias de saída — reveja quando a CIV é alta
Na CIV de saída, avalie a relação com a valva aórtica e procure cardiopatia conotruncal associada.
Imagem junto do achado
Localização anatômica
CIV muscular
Procure o defeito na porção muscular do septo ventricular.
CIV muscular apical
Siga o septo abaixo da banda moderadora até a região apical.
CIV perimembranosa
Examine a porção membranosa próxima às valvas atrioventriculares e à via de saída esquerda.
CIV de entrada (inlet)
Procure o defeito na porção inferior do septo, junto às valvas atrioventriculares.
CIV de saída (outlet)
Avalie a porção superior do septo e sua relação com a via de saída e a valva aórtica.
O que procurar além do achado principal
- Revise a crux e as valvas atrioventriculares nas CIVs de entrada.
- Avalie as vias de saída e a valva aórtica nas CIVs de saída.
- Procure outros defeitos septais quando houver mais de uma abertura muscular.
- Complete a avaliação anatômica cardíaca e extracardíaca.
Diagnósticos diferenciais
Priorize diferenciais que mudam a leitura anatômica do defeito:
Nas CIVs de saída, diferencie cardiopatias conotruncais pela origem, relação e calibre dos grandes vasos.
Genética
A indicação de investigação deve considerar se a CIV é isolada, sua localização e a presença de outros achados cardíacos ou extracardíacos.
Evolução durante a gestação
As CIVs musculares são mais frequentes no período fetal e apresentam elevada taxa de fechamento espontâneo. A localização e os achados associados devem permanecer documentados no seguimento.
Repercussão ao nascimento
A avaliação neonatal confirma a presença, a localização e a repercussão do defeito. O planejamento deve ser individualizado quando houver cardiopatia associada.
Conduta e planejamento perinatal
- Complete a avaliação anatômica e documente se o achado é isolado.
- Registre localização, número de defeitos e confirmação em dois planos com Doppler.
- Direcione o planejamento conforme as alterações cardíacas e extracardíacas associadas.
Prognóstico e desenvolvimento perinatal
O prognóstico não deve ser reduzido ao nome “CIV”: depende da localização, da persistência e, principalmente, da presença de alterações cardíacas, extracardíacas ou genéticas associadas. As CIVs musculares têm maior possibilidade de fechamento espontâneo do que as perimembranosas.
Referências
Conteúdo clínico reorganizado a partir da página anterior de CIV e de sua referência já registrada (Gómez et al.).