Síndrome

Síndrome de Muenke

Craniossinostose relacionada à variante p.Pro250Arg no gene FGFR3

Descrição

Craniossinostose relacionada ao FGFR3, caracterizada principalmente por sinostose coronal uni ou bilateral, assimetria craniana e grande variabilidade fenotípica. Deve ser suspeitada diante de craniossinostose coronal, especialmente quando associada a alterações auditivas ou discretas anomalias das extremidades.

Compatibilidade com a vida

Classificação

🟢 Compatível com a vida

O prognóstico costuma ser favorável, mas depende da gravidade da craniossinostose e das alterações auditivas ou neurológicas associadas.

Principais vulnerabilidades

  • Perda auditiva neurossensorial
  • Hipertensão intracraniana em casos selecionados
  • Assimetria craniofacial
  • Atraso do desenvolvimento em parte dos pacientes
  • Alterações comportamentais ou de aprendizagem
  • Necessidade variável de cirurgia craniana

Genética

  • Gene FGFR3
  • Variante clássica p.Pro250Arg
  • Herança autossômica dominante
  • Penetrância incompleta
  • Expressividade muito variável
  • Casos familiares e de novo podem ocorrer
  • Confirmar por Exoma fetal
  • A mesma variante pode produzir fenótipos muito diferentes, inclusive entre membros da mesma família.

Incidência

  • A Síndrome de Muenke é uma das craniossinostoses sindrômicas mais frequentes.

Principais marcadores

Padrão ultrassonográfico

Não existe alteração característica importante das mãos e pés. O fenótipo pode ser discreto e variável.

Quando suspeitar?

  • Sinostose coronal unilateral
  • Sinostose coronal bilateral
  • Plagiocefalia anterior
  • Braquicefalia
  • Assimetria facial
  • História familiar de craniossinostose
  • Craniossinostose associada a perda auditiva familiar

Achados ultrassonográficos

Crânio

  • Craniossinostose coronal uni ou bilateral
  • Plagiocefalia anterior quando unilateral
  • Braquicefalia quando bilateral
  • Assimetria do contorno craniano
  • Fronte assimétrica em alguns casos

Face

  • Assimetria facial
  • Hipoplasia discreta do terço médio em alguns pacientes
  • Hipertelorismo ocasional

Membros

  • Mãos e pés frequentemente normais
  • Alterações menores podem ocorrer
  • Não apresenta a sindactilia complexa típica de Apert
  • Não apresenta os polegares/hálux largos típicos de Pfeiffer

SNC

  • Ventriculomegalia pode ocorrer, mas não é característica
  • Avaliar anatomia intracraniana e sinais de repercussão da craniossinostose

Observação

  • O padrão pode ser bastante sutil. A sinostose coronal pode constituir o único achado fetal relevante.
Consultar Craniossinostose

Diagnóstico

Suspeita ultrassonográfica

Amniocentese

QF-PCR

Exoma fetal

Identificação de variante patogênica p.Pro250Arg em FGFR3

Confirmação da Síndrome de Muenke

Confirmação molecular

O diagnóstico clássico está associado à variante p.Pro250Arg do FGFR3.

Prognóstico

Craniano

  • Evolução variável
  • Alguns pacientes necessitam correção cirúrgica
  • Risco de hipertensão intracraniana em casos selecionados

Audição

  • Perda auditiva neurossensorial é uma manifestação importante
  • Necessita avaliação audiológica precoce

Desenvolvimento

  • Desenvolvimento normal em muitos indivíduos
  • Dificuldades de aprendizagem ou atraso podem ocorrer

Sobrevida

  • Geralmente normal

Aconselhamento

  • Neurosonografia fetal
  • Avaliação detalhada das suturas cranianas
  • Avaliação seriada do formato craniano
  • Amniocentese
  • QF-PCR
  • Exoma fetal com análise de FGFR3
  • Aconselhamento genético
  • Avaliação dos pais quando indicada
  • Planejamento de seguimento neonatal craniofacial e audiológico

Diagnósticos diferenciais

Destaques

Pistas de diferenciação

Saethre-Chotzen pode apresentar sinostose coronal semelhante, porém é associada a TWIST1 e frequentemente apresenta ptose e sindactilia discreta.

  • Apert apresenta sindactilia complexa, ausente na Síndrome de Muenke.
  • Pfeiffer apresenta polegares e hálux largos, achado não característico de Muenke.

Galeria

Craniossinostose coronal na Síndrome de Muenke

Ilustração do formato craniano associado à sinostose coronal.

Fenótipo pós-natal da Síndrome de Muenke

Fotografia pós-natal representativa da assimetria craniofacial.

Referências

  • GeneReviews — FGFR Craniosynostosis Syndromes
  • Orphanet — Muenke syndrome
  • OMIM #602849 — Muenke syndrome
  • Agochukwu NB et al. Muenke syndrome. Seminars in Craniofacial Surgery. 2012;23(2):48–53.