Síndrome

Síndrome de Apert

Craniossinostose sindrômica associada a variantes em FGFR2

Descrição

Craniossinostose sindrômica caracterizada pela associação entre fechamento precoce das suturas cranianas, hipoplasia do terço médio da face e sindactilia simétrica das mãos e dos pés. Deve ser suspeitada no período fetal quando uma alteração do formato craniano aparece associada à fusão dos dedos.

Compatibilidade com a vida

Classificação

🟢 Compatível com a vida

O prognóstico depende da gravidade da craniossinostose, das alterações respiratórias, cerebrais e das malformações associadas.

Principais vulnerabilidades

  • Hipertensão intracraniana
  • Obstrução das vias aéreas
  • Alterações visuais e exposição ocular
  • Perda auditiva
  • Comprometimento do desenvolvimento variável
  • Necessidade de múltiplas cirurgias craniofaciais e das mãos

Genética

  • Variante patogênica heterozigótica em FGFR2
  • Herança autossômica dominante
  • A maioria dos casos ocorre de novo
  • As variantes clássicas mais frequentes envolvem p.Ser252Trp e p.Pro253Arg
  • Um indivíduo afetado possui risco de transmissão para seus descendentes
  • Confirmar por exoma fetal
  • A análise de CNVs deve permanecer disponível no pipeline, mas o diagnóstico de Apert depende principalmente da identificação da variante em FGFR2
  • A idade paterna avançada está associada a maior frequência de variantes de novo em FGFR2.

Incidência

  • Aproximadamente 1 para cada 65.000 a 100.000 nascidos vivos

Principais marcadores

Padrão ultrassonográfico

A associação entre alteração do formato craniano e sindactilia complexa é o principal padrão de reconhecimento fetal.

Quando suspeitar?

  • Formato craniano anormal
  • Braquicefalia ou acrobraquicefalia
  • Fronte proeminente
  • Hipoplasia do terço médio da face
  • Hipertelorismo
  • Proptose aparente
  • Sindactilia bilateral das mãos
  • Sindactilia dos pés
  • Polegares e hálux geralmente preservados, porém integrados ao padrão complexo das extremidades
  • Associação de craniossinostose com alterações dos membros

Achados ultrassonográficos

Crânio

  • Craniossinostose, frequentemente envolvendo suturas coronais
  • Braquicefalia ou acrobraquicefalia
  • Fronte alta ou proeminente
  • Alteração progressiva do formato craniano
  • Possível ventriculomegalia

Face

  • Hipoplasia do terço médio da face
  • Ponte nasal deprimida
  • Hipertelorismo
  • Proptose ou órbitas rasas
  • Perfil facial alterado
  • Fenda palatina pode ocorrer

Mãos

  • Sindactilia bilateral e simétrica
  • Fusão complexa dos dedos centrais
  • Aspecto de “mão em luva” ou “mão em colher”
  • Mobilidade reduzida e dedos agrupados

Pés

  • Sindactilia bilateral
  • Fusão dos pododáctilos
  • Hálux largo ou desviado em alguns casos

Sistema Nervoso Central

  • Ventriculomegalia em alguns casos
  • Anomalias do corpo caloso ou outras alterações cerebrais podem ocorrer
  • Avaliar detalhadamente a anatomia intracraniana

Outros

  • Polidrâmnio em alguns casos
  • Cardiopatias ou alterações renais podem ocorrer, mas não representam o padrão principal
  • A craniossinostose pode tornar-se mais evidente com a progressão da gestação. A sindactilia complexa pode ser a pista mais precoce.
Consultar Craniossinostose

Diagnóstico

Suspeita ultrassonográfica

Amniocentese

QF-PCR para as principais aneuploidias

Exoma fetal

Identificação de variante patogênica em FGFR2

Confirmação da Síndrome de Apert

Confirmação molecular

O diagnóstico é confirmado pela identificação de variante patogênica em FGFR2.

Análise genética

O exoma deve avaliar variantes de sequência em FGFR2 e manter análise validada para CNVs como parte do pipeline genético geral.

Prognóstico

Crânio e neurologia

  • Risco de hipertensão intracraniana
  • Possível necessidade de cirurgia craniana precoce
  • Desenvolvimento neurocognitivo variável

Respiração

  • Hipoplasia do terço médio da face
  • Obstrução das vias aéreas
  • Apneia do sono
  • Possível necessidade de suporte respiratório

Visão e audição

  • Proptose e exposição corneana
  • Estrabismo
  • Alterações auditivas
  • Necessidade de acompanhamento especializado

Mãos e funcionalidade

  • Sindactilia complexa
  • Necessidade de cirurgias reconstrutivas
  • Função manual variável após tratamento

Sobrevida

  • Geralmente prolongada
  • Qualidade de vida depende do acesso ao tratamento craniofacial, respiratório, visual e funcional

Aconselhamento e conduta

  • Neurosonografia fetal detalhada
  • Avaliação sistemática das suturas cranianas
  • Estudo detalhado das mãos e dos pés
  • Ecocardiografia fetal quando houver indicação
  • Amniocentese
  • QF-PCR
  • Exoma fetal com avaliação de FGFR2
  • Aconselhamento genético
  • Planejamento do parto em centro terciário
  • Avaliação neonatal por neurocirurgia, cirurgia craniofacial, oftalmologia, otorrinolaringologia e cirurgia da mão

Diagnósticos diferenciais

Destaque principal

Síndrome de Crouzon

Crouzon apresenta craniossinostose e hipoplasia facial, mas geralmente não apresenta a sindactilia complexa típica de Apert.

Síndrome de Pfeiffer

Pfeiffer pode apresentar craniossinostose, polegares e hálux largos, porém a sindactilia costuma ser menos grave que em Apert.

Galeria

Fenótipo pós-natal da Síndrome de Apert

Associação entre craniossinostose, hipoplasia do terço médio da face e sindactilia complexa característica da Síndrome de Apert.

Sindactilia das mãos

Sindactilia bilateral e simétrica das mãos no fenótipo pós-natal.

Referências

  • GeneReviews — FGFR Craniosynostosis Syndromes
  • Orphanet — Apert syndrome
  • OMIM #101200 — Apert syndrome
  • International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology — Sonographic examination of the fetal central nervous system: performance of targeted neurosonography